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A falta de água na África do Sul é um alerta para todos

Neste ano, o mundo pode conhecer uma tragédia sem precedentes: a primeira grande cidade da era moderna a ficar sem água. Os sul-africanos da Cidade do Cabo já estão vivendo, de fato, a contagem regressiva para o Dia Zero, data que foi adiada para julho depois da chuva registrada em fevereiro e de medidas de racionamento adotadas pelo governo local. Hoje os habitantes são instruídos a consumir até 50 litros por dia e muitos já estão estocando o recurso natural em casa.

Mas, se muitos ambientalistas e biólogos já alertam sobre o risco hídrico nas grandes cidades há vários anos, além dos inúmeros documentários, como "A Thirsty World" (2014, Yann-Artus Bertrand) e uma filmografia à la Mad Max em que não faltam cenários de um futuro pós-apocalíptico, por que o assunto não tem vez na fila do pão, na mesa de domingo ou no elevador? 

Para o gerente nacional de Águas da TNC (The Nature Conservancy), maior ONG ambiental do mundo, e do Movimento Água para São Paulo, Samuel Barrêto, um grave problema é a população acreditar que a água é um recurso abundante. "O que a gente aprende [com o risco de colapso da água na Cidade do Cabo] é que o risco hídrico veio para ficar", destaca. 

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), o planeta vai enfrentar um deficit de água de 40% até 2030, caso o desperdício continue. Estima-se que quase 40% da água tratada no Brasil seja desperdiçada, enquanto em países desenvolvidos, como o Japão e os Estados Unidos, a média é de 15% de perda. 

Há desperdício na indústria, nas empresas, nas casas e na agricultura. Estima-se, por exemplo, que a cada 100 litros, 72 são usados na irrigação agrícola. Para produzir um quilo de carne bovina são necessários 15 mil litros de água. 

 

(Vitor Struck - Especial para a FOLHA - Folha de Londrina)

 

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