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O uso de antidepressivos

A depressão comum muitas vezes é tratada com antidepressivos, método não adequado para a depressão bipolar, por isso a importância do diagnóstico correto da doença. "A gente vê hoje, infelizmente, muitos médicos fazendo diagnóstico de depressão unipolar sem atentar para o fato de que precisa, em primeiro lugar, ser excluída a depressão bipolar antes que nós usemos antidepressivos", afirma o psiquiatra José Alberto Del Porto. 

Por conta da confusão e do difícil diagnóstico, muitos pacientes são tratados como unipolares. "A taxa de conversão posterior de uma depressão unipolar para a bipolar chega até 30% dos casos, mas há uma estimativa maior, de forma que muitos dos pacientes que acreditamos serem depressivos unipolares são, na verdade, bipolares", afirma o médico. 

Segundo Del Porto, o antidepressivo pode piorar os episódios da depressão bipolar. "Além de não ser eficiente, acarreta prejuízo, porque ele induz à ciclagem rápida e aos episódios mistos, que aumentam o risco de suicídio", informa. A ciclagem rápida é quando a pessoa tem mais de quatro oscilações entre mania e depressão no mesmo ano, as mulheres são três vezes mais atingidas por essa oscilação. 

A doença não tem cura, mas com o tratamento correto, o paciente pode ter uma vida normal. Alguns medicamentos são aprovados, mas Del Porto afirma que antidepressivos sozinhos não funcionam, é necessário que seja associado a outros medicamentos. O cloridrato de lurasidona, um dos fármacos citados, é um antipsicótico atípico aprovado no Brasil para o tratamento de episódios depressivos associados ao transtorno bipolar e da esquizofrenia.

 

 

(Folha de Londrina - Saúde - L.T.)

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