Opinião

DILCEU SPERAFICO - A urbanização do planeta e as grandes cidades do futuro

Mesmo que muitos considerem a qualidade de vida de pequenas cidades como benefício altamente compensador para a falta de atrações e opções de lazer de grandes metrópoles, é preciso se preparar para o planeta cada vez mais urbano.

Conforme especialistas, até 2050, sete em cada 10 pessoas estarão vivendo em grandes cidades, que serão bem diferentes dos atuais maiores centros urbanos.

De acordo com o pesquisador finlandês Teemu Alexander Puutio, no futuro haverá novas relações de trabalho e as megacidades exercerão  liderança sobre os próprios países onde estão sediadas.

Na atualidade, segundo estudos conhecidos, mais da metade das pessoas vive em cidades, mas em 2050, 70% dos humanos estarão residindo em enormes metrópoles, que terão papel cada vez mais importante na vida e no bem-estar das pessoas.

Segundo o pesquisador finlandês, a proximidade geográfica não será  impedimento para que sejam criadas novas instituições, como alianças internacionais, permitindo que empreendedores fundem empresas multinacionais em diversas megacidades, aproveitando a soberania urbana para ampliar seus negócios e fugir de pressões dos atuais governos nacionais.

Entre as previsões para as futuras grandes cidades, está a reinvenção do trabalho remunerado. A chamada "Geração C", também conhecida como geração conectada, formada pelos que nasceram em mundo digital e ocupam grande parte do dia em atividades online, terá membros se destacando na produção de conteúdos digitais nas redes sociais.

Conforme especialistas, alguns dos empregos do futuro ainda não foram criados, mas outros estão crescendo pouco a pouco na internet, como é o caso de treinadores e acompanhantes digitais, que serão pessoas reais que cobrarão para jogar videogame ou por outros serviços prestados nas redes de computadores, de forma global ou sem restrições geográficas.

No futuro, as pessoas vão se transferir para comunidades onde se sintam identificadas com os demais moradores, porque a economia local será mais importante que a nacional ou global. Com isso, as cidades serão cada vez mais independentes dos poderes centrais, gerando mais riquezas e inovações e se transformando em soluções em grande escala.

As novas cidades deixarão de gerar crimes, doenças e desigualdades para criar novas oportunidades para seus habitantes, porque serão ecossistemas que poderão administrar melhor os seus recursos, incluindo os financeiros, estruturais e ambientais.

As grandes metrópoles serão a única solução para abrigar população de 9,7 bilhões de pessoas, prevista para 2050, pois a digitalização oferecerá maiores possibilidades de solucionar os problemas atuais, como os efeitos negativos do crescimento, que tenderão a diminuir com novas tecnologias e  novos métodos de produção.

As novas empresas micromultinacionais deverão se expandir pelo planeta, como companhias criadas para serem empresas globais. Trata-se de conceito tão amplo que qualquer pequeno negócio que venda produtos a milhares de quilômetros de distância, por meio de plataforma digital, poderá ser enquadrado na nova categoria.

Essa tendência já existiria em organizações de cidades e governantes municipais, unidas pela proximidade geográfica, ideologia política e vocação econômica. Além disso, a digitalização promete criar cidades inteligentes na formalização de contratos, eleições e recolhimento de impostos.

 

*O autor é deputado federal pelo Paraná licenciado e chefe da Casa Civil do Governo do Estado

  E-mail: dep.sperafico@uol.com.br

 

 

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