Opinião

DR. ROSINHA - Chega de perseguição

Muitos podem dizer: “já passou”.  Sim, já passou e inclusive muitos comentaram a invasão da casa de Marcos Lula da Silva, filho do Lula. Mas, esmo que muitos já tenham comentado, sinto necessidade de fazer a crítica e lavrar o meu protesto.

Não posso ser omisso como retrata muito bem o poema “No caminho com Maiakovski”, de Eduardo Alves Costa. Aliás, muitos citam parte deste poema como se fosse do Maiakovski.

"Na primeira noite eles se aproximam / e roubam uma flor / do nosso jardim. / E não dizemos nada. / Na segunda noite, já não se escondem: / pisam as flores, / matam nosso cão, / e não dizemos nada. / Até que um dia, / o mais frágil deles / entra sozinho em nossa casa, / rouba-nos a luz, e, / conhecendo nosso medo, / arranca-nos a voz da garganta. / E já não podemos dizer nada"

Para não ter a voz arrancada, vou gritar: “chega de perseguição”. No último dia 10, a Polícia Civil do Estado de São Paulo invadiu a casa de Marcos Lula da Silva após uma denúncia anônima de que haveria drogas naquele endereço. Digo invadiu porque a autorização judicial foi forçada. Creio que, se houver, são poucas as cidades no Brasil que não têm uma “boca de fumo”, local de venda de todas as drogas. Essas “bocas de fumo” são denunciadas, às vezes dezenas de vezes anonimamente, porém muitas vezes o denunciante se identifica. No geral, nada ocorre. A “boca” continua aberta e as otoridades locais, levando o deles por fora.

A polícia invade a casa do filho de Lula. Nada foi encontrado, mas virou noticia nacional. O importante para os ditadores do poder judiciário, policial e do ministério público não é descobrir o crime e o autor, é criminalizar Lula, seus filhos e o PT. A criminalização, se não for possível através da lei deles, já se deu pela imprensa golpista e fascista, e no geral é  exatamente este o objetivo.

Nada encontraram, mas levaram dois notebooks, CDs, DVDs, disquetes e documentos de Marcos Lula. A polícia e o governo do PSDB de São Paulo, em  um primeiro momento ,alegaram, corretamente, que a invasão foi feita com autorização judicial, manda do este assinado pela juíza Marta Brandão Pistelli. No caso, entendo que o manda do judicial foi uma decisão para legalizar uma perseguição política. Alegação para conceder o manda do:  houve uma denúncia anônima de que naquele endereço haveria drogas e armas. Há a denúncia, mas não há a investigação para dar o mínimo de credibilidade a mesma. Fica claro que o objetivo da denúncia e do anonimato é perseguir um adversário político/ideológico. Como alguns membros das polícias, do ministério público e do judiciário se alinham a esta perseguição, sem nada perguntar ou investigar, passam à ação e assim são assinados os manda dos de busca e apreensão. Já passou da hora de o poder judiciário punir os juízes e juízas que depõem contra a instituição e só faz em crescer o descrédito na justiça. Ou o objetivo do poder judiciário não é a justiça?

Juízes, delegados e procuradores que nas redes sociais têm se manifestado politicamente deveriam se declarar impedidos de certas ações, como é o caso do delegado Carlos Renato de Melo Ribeiro, homenageado pelo PSDB, mostrando uma clara posição política/ideológica. Essa posição significa no mínimo simpatia entre as partes e, no máximo, aversão a Lula e ao PT.

Nas redes sociais, circula foto da Marta Brandão Pistelli ao lado de um prefeito cassado do PSDB. Não é uma foto que transparece aversão ao cidadão, mas sim,simpatia. O que tudo indica é que ,após o sucesso midiático que o juiz de primeira instância Sérgio Moro alcançou ao perseguir Lula e o PT, outros desejam obter a mesma visibilidade.

Hoje dá visibilidade e certa glória perseguir Lula, sua família e os petistas. E, nesta ânsia persecutória, colocam -se acima da lei e há quem defenda isso, como fez José Robalinho, presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) e Roberto Carvalho Veloso, presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais),que aprovaram a operação que levou  à morte o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que, aliás, diga-se de passagem, também foi vítima de algumas denú ncias anônimas. Chega de perseguição. Basta de abusos das autoridades. 

 

* Dr. Rosinha, médico pediatra e servidor público, ex-deputado federal (PT-PR).

 

 

Todos os direitos reservados | © 2017 | AB
desenvolvido por