Opinião

MARCOS DOMAKOSKI - O Paraná aguarda bons projetos para o seu futuro

As negociações e articulações compõem a base da política. É por meio dessas manifestações que as lideranças e os partidos elegem seus candidatos a cada eleição. Mas, paralelamente, no sistema complexo e já ultrapassado que ocorre na política brasileira, é preciso evitar que essas articulações se transformem num vaivém de interesses pessoais ao qual a sociedade apenas assiste, entre a perplexidade e a expectativa.

Enquanto o debate sobre a sucessão presidencial está cercado por um mar de dificuldades e dúvidas, aqui no Paraná estamos entrando no prazo limítrofe do pós-carnaval – data extra oficial que se impôs como marco, ao modo brasileiro, para que, ao início de cada ano no qual ocorrem eleições, tenhamos o quadro político minimamente delineado, senão completo, pelo menos estabilizado.

Temos pré-candidatos de tradição na política do estado, como o ex-senador Osmar Dias e o ex-governador Roberto Requião. E novas lideranças que vêm se destacando, como o deputado Ratinho Jr. e a vice-governadora Cida Borghetti, além do prefeito de Guarapuava, Cesar Silvestri Filho. São nomes que representam um amplo espectro da sociedade paranaense na disputa ao governo.

Diante do atual contexto, cabe ao governador Beto Richa anunciar sua decisão sobre o próprio futuro político – se termina o mandato que recebeu do povo do Paraná nas urnas, ou se disputa uma vaga no Senado, seguindo a tradição de outros antecessores, como seu pai, José Richa, e o já citado Requião. Ao tornar pública sua decisão, o governador deixará o caminho aberto para as novas composições políticas e facilitará a formação das chapas que vão disputar o governo.

O Paraná segue em suspenso, esperando que as decisões sejam tomadas após as reflexões maduras e análises de cada grupo político. É um período rico, de fato, em termos de articulações. Mas requer, também, que cada pré-candidato vá esboçando e expondo à sociedade o projeto que idealiza para o Paraná, a fim de atrair o voto popular.

A nossa sociedade carece de informações básicas sobre temas fundamentais como a questão do pedágio, cujos contratos de concessão se encerram durante a próxima gestão; os projetos para equacionar nossos gargalos de transporte, tanto rodoviários como ferroviários; os graves problemas da segurança; e os investimentos na educação e na saúde.

Para os empresários paranaenses, em particular, encurralados de um lado pela crise brasileira e por outro pelo aumento de impostos que atingiu a todos, dos micro aos grandes grupos, é importante que cada candidato estabeleça, com clareza, como vai retomar o caminho do crescimento do estado. E, nesse caminho, se a sociedade poderá contar com a tão esperada e necessária reforma administrativa, com um drástico enxugamento da máquina pública que permita uma reforma tributária como condição fundamental para consolidação do nosso desenvolvimento.

O comprometimento com o projeto de cada candidato, portanto, se faz agora, quando se estabelecem as coligações e uniões partidárias. Sem esses compromissos, estaremos fadados a assistir a mais uma campanha eleitoral voltada apenas para o resultado das urnas, o que pressupõe um governo de incógnitas e dúvidas. E nada é mais lamentável para uma sociedade, em todos os seus níveis, do que a insegurança quanto ao seu futuro próximo.

Até abril, pelo menos no Paraná, cada pré-candidato tem a grande oportunidade de montar suas chapas e formar coligações em torno de bons projetos para o futuro. É o que os paranaenses aguardam.

 

* Marcos Domakoski, ex-presidente da Associação Comercial do Paraná, é presidente do Movimento Pró-Paraná.

 

Todos os direitos reservados | © 2018 | AB
desenvolvido por